sexta-feira, 20 de abril de 2012





Deixemos de lado as crises existenciais, os dramas psicológicos, os complexos exagerados. Deixemos de chorar, no banheiro de um bar qualquer.

-Rízia Luiz


Tente enterrar junto com você suas casas, seus carros, suas jóias e seus cartões. Porque só assim, fará algum sentido viver somente para consegui-los.

- Rízia Luiz

Nos dias em que até o que é agradável se torna um imenso tédio.


-Rízia Luiz

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Os planos e os sonhos nos acompanham durante todas as épocas de nossas vidas. O maior mistério é se eles vão se concretizar. E podemos chamar de milagre, as mínimas coisas que se realizam, seja o que sonhamos ou planejamos. Mas, há coisas que nem fazíamos ideia que aconteceriam. Pra essas coisas, eu chamo de Deus.


-Rízia Luiz

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Desci as escadas, era só mais uma chuva de verão.
Daquelas que chegam sem avisar e se vão sem você se dar conta.
Mas, não. Ela perdurou a noite toda, o dia inteiro seguinte, mais uma noite e mais um dia.
Em casa, "de molho" pensei. Um apartamento no alto e ao meio de tantos se torna grande quando se está sozinha.
Pela janela as luzes mostram outras solidões, umas acompanhadas, outras forjadas, mas cada uma em seu quadrado de paredes.
É nessa hora que você pega o telefone na tentativa de preencher o vazio.
Mas o vazio maior é que eu não tinha um número para discar.
Bobagem! Um número eu tinha, vários até. Afinal, para que servem as chamadas de emergência?
O maior problema é não ter o seu número.
Mais uma vez virei para o lado, escorei na janela e olhei a chuva. A chuva tem uma beleza triste.
Vi as luzes, a cidade imensa. Poderia ser a sua cidade.
Você poderia estar em alguma daquelas solidões. Você poderia.
E eu não poderia pensar tantas coisas em uma sexta-feira chuvosa.
Eu não poderia, mas aguentava firme.


-Rízia Luiz

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



Meus motivos são outros hoje. Aquela alegria validou.
Já refleti muito, mas as perguntas ainda vagam em minha mente.
Para que foram os planos? E o que faço com os sonhos agora?
Queria poder guardá-los, escondê-los, dar remedinho para que todos dormissem.
Mas não funciona. Viraram fantasmas. Quanto mais se pensa que não existem, mais piora, mais me afeta.
Ah o tempo, meu velho inimigo. Não tenho mais forças contra você. Apesar de não gostar, te deixo.
Afinal, não é você que resolve meu caro?
Não é você que leva tudo?
Estás sobrecarregado, eu sei, eu sei.


-Rízia Luiz

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Deixei as lembranças fantasiadas e guardei ilusões sonhadas na última gaveta daquele armário esquecido.
Pelo menos tento, um presente sem passado nem futuro.
A expectativa agora é não ter nenhuma expectativa. É viver com o que se tem, ter o que vier.
Estou me buscando em cada folha de papel, em cada vento que passa.
E há dias em que me encontro e em outros que me perco mais.
Mas o importante agora é isso: me encontrar, me perder. Nada de você por aqui.

-Rízia Luiz

quarta-feira, 15 de junho de 2011

'E o que estou fazendo de minha vida? Ela deveria ser vida somente com a sua.'





É o que rezo todos os dias
Antes da espera fez-se prece, interminável
Sussurrada ao alcance de seus ouvidos
Cada gesto distante é feito em procura de ti
E as risadas buscam sentido em rostos alheios
O impulso que nos faz apertar os pulsos
São os mesmos pulos a esmo
Ou talvez tudo se faça sentido
Quando planeja-se juntos os mesmos caminhos
Então simplesmente caminhamos juntos
Gratificação não por segurar forte a saudade, isso também
Mas por saber que todo pequeno momento lado a lado
Vale tão a pena quanto qualquer distância solitária
Impossível sim viver sozinho, talvez o resto seja mar
Talvez amar seja o que tenha restado
Talvez o mar saiba menos que nós, por isso não é ruína
Quem sabe somos o restante de todo martírio
Talvez nos resolvamos um ao outro
Dessa maneira, somos a resposta
Por fim, deixe as sobras para trás




-Ana A.


Resto um nome de bruma
no meu eterno cansaço.

Restou um tédio de cinza
no meu todo de silêncio.

Tanta triteza no meu sono imenso...



(Hilda Hilst, in: Baladas)




- Minha voz cai no abismo do teu silêncio.


C.Lispector